Vou levando a vida
Quando pequena, eu era muito mimada, tinha tudo que eu queria, vivia cercada de gente ao meu redor, com vários amigos, e todos me amavam. Porém eu era apenas um projeto de gente, não tinha opinião própria mesmo para minha pouca idade, e estava me tornando em uma boneca da sociedade.
Mas um dia isso teve fim. Não me lembro como e nem quando. Só comecei a me questionar o por quê das coisas, pois eu me deixava ser controlada, porque queriam que eu fosse a perfeitinha. Fui criando opinião e, conheci um lado de mim que até então não sabia que existia.
Fui crescendo, e tudo ao meu redor foi se distanciando de mim, estava ficando cada vez mais sozinha e isolada. Por ser quem eu sou, por não ser mais uma boneca. É justo isso? Claro que não.
As pessoas tem medo de mim, uns me acham estranha já outros, creem que sou metida. Cada um tem sua opinião já formada só que a maioria nunca nem chegou a falar comigo, seja uma vez sequer. Eles julgam demais sem conhecer.
Meus amigos são poucos, e esses estão me abandonando. Minha família já não sei, acho que eles queriam que eu continuasse aquela imatura, que tinha a obsessão em ser perfeita. Não sei quem está ao meu lado hoje em dia.
Estou cada vez mais só. Por ser quieta e na minha, as pessoas fogem de mim e não percebem que assim elas me machucam e fico cada vez mais fria. E a culpa é deles.
Sou como a orelha de Van Gogh, que antes tinha companhia e depois de um distúrbio ficou só.
Aprendi a viver com essa nossa sociedade infantil. E assim vou indo, até quando eu não suportar mais.
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